Os cuidados com tecidos e peças estampadas são fundamentais para preservar a qualidade, o toque, as cores, a definição da estampa e as características originais do produto.
Independentemente da tecnologia utilizada para produzir uma estampa, é importante compreender que todo artigo têxtil é resultado da combinação entre fibra, fio, construção do tecido, tingimento, preparação, estamparia e acabamento.
Cada uma dessas etapas interfere no comportamento final do produto.
Por isso, quando uma peça é submetida posteriormente a uma lavagem inadequada, não é somente a estampa que pode ser afetada. A própria fibra, o fio, o tingimento, o acabamento e a estrutura do tecido podem sofrer alterações.
Esse cuidado é ainda mais importante quando trabalhamos com tecidos desenvolvidos para oferecer toque agradável, maciez, conforto e caimento, especialmente artigos produzidos com fibras naturais ou celulósicas, como algodão, viscose, modal e linho.
TODO TIPO DE ESTAMPA EXIGE CUIDADOS
Existem diversas tecnologias utilizadas atualmente para estampar e personalizar tecidos, entre elas:
- Estamparia digital em algodão, viscose e outras fibras;
- Sublimação em tecidos de poliéster;
- Estamparia rotativa;
- Estamparia localizada;
- Serigrafia ou silk-screen;
- Transfer;
- DTF;
- Estampas pigmentadas;
- Estampas reativas;
- Foil;
- Glitter;
- Aplicações metalizadas;
- Estampas emborrachadas;
- Relevos;
- Texturas 3D;
- Filmes e películas;
- Efeitos especiais.
Cada tecnologia possui características diferentes.
Algumas tecnologias trabalham com corantes que interagem com a fibra. Outras utilizam pigmentos, resinas, filmes ou materiais depositados sobre a superfície.
Consequentemente, não existe uma única condição de lavagem que possa ser aplicada indiscriminadamente a todos os tecidos e a todas as estampas.
A composição do tecido, o processo de tingimento, a preparação, o acabamento, a tecnologia de estamparia e a finalidade da peça precisam ser considerados.
NÃO É SOMENTE A ESTAMPA: O PRÓPRIO TECIDO PRECISA DE CUIDADOS
Um ponto extremamente importante é compreender que tecidos também são sensíveis.
Existe a ideia equivocada de que, se uma estampa possui boa resistência, qualquer processo posterior pode ser realizado sobre a peça.
Não é assim.
Mesmo que determinada estampa apresente excelente solidez, o tecido sobre o qual ela foi aplicada continua possuindo suas próprias características e limitações.
Água, temperatura, ação química, tempo e ação mecânica podem provocar alterações dimensionais e superficiais no artigo.
Quanto mais agressiva for a combinação desses fatores, maior poderá ser a transformação provocada no produto.
TECIDOS DE TOQUE AGRADÁVEL EXIGEM ATENÇÃO ESPECIAL
Muitos dos tecidos escolhidos pelas confecções justamente pelo conforto, maciez e toque agradável possuem características que precisam ser preservadas durante a lavagem.
Isso é particularmente relevante em artigos de fibras naturais e celulósicas, como:
Algodão, viscose, modal, linho e suas diferentes misturas.
Também deve existir atenção em construções como:
Suedine, meia malha, cotton, sarja, tricoline, moletom, molecotton, canelados e outros artigos destinados ao vestuário.
O toque agradável de um tecido não acontece por acaso.
Ele é resultado da combinação entre a matéria-prima, características do fio, construção, preparação, tingimento e diferentes processos de acabamento realizados pela indústria têxtil.
Uma lavagem posterior extremamente agressiva pode modificar justamente algumas das características que fizeram aquele tecido ser escolhido pela confecção.
Por isso, quanto mais importante for o toque, o caimento e a aparência superficial para o produto final, maior deve ser o cuidado na definição dos processos posteriores.
ATÉ O TINGIMENTO DE UM TECIDO EXIGE CONTROLE
Antes mesmo de falarmos de estamparia, é importante observar o que acontece em um tecido simplesmente tinto.
O tingimento industrial é um processo técnico que exige controle de diversos parâmetros para que o corante apresente uniformidade e adequada interação com a fibra.
Dependendo da fibra e do sistema utilizado, são controlados fatores como:
- Temperatura;
- Tempo;
- pH;
- Relação de banho;
- Classe de corante;
- Concentração;
- Produtos auxiliares;
- Lavagens posteriores;
- Neutralização;
- Secagem;
- Acabamento.
Isso demonstra que mesmo um tecido sem estampa já é um produto tecnicamente complexo.
Depois de tinto e acabado, esse tecido possui determinadas características de cor, toque, largura, gramatura e estabilidade.
Ao submetê-lo posteriormente a outro processo químico ou mecânico muito agressivo, algumas dessas características podem ser novamente modificadas.
Portanto, não faz sentido analisar uma alteração ocorrida depois de uma lavação industrial observando exclusivamente a estampa.
É necessário avaliar todo o sistema têxtil: fibra + fio + tecido + tingimento + acabamento + estamparia + processo posterior de lavagem.
UMA LAVAGEM AGRESSIVA PODE INTERFERIR NA ESTRUTURA DO ARTIGO TÊXTIL
Uma lavação industrial não representa simplesmente colocar uma peça em contato com água.
Dependendo do processo, existe uma combinação de:
Água + temperatura + produtos químicos + tempo + atrito + ação mecânica.
Esses fatores podem provocar modificações na fibra e no comportamento do fio e, consequentemente, na estrutura e na superfície do tecido.
Fibras podem absorver água e apresentar alterações dimensionais. Tensões existentes nos fios e na construção do tecido podem ser relaxadas durante determinados processos.
Produtos químicos também podem interagir com materiais celulósicos e com os acabamentos aplicados anteriormente ao tecido.
Por isso, uma lavação agressiva pode resultar em:
- Alteração dimensional;
- Encolhimento;
- Deformação;
- Mudança de toque;
- Aumento da aparência de desgaste;
- Alteração superficial;
- Perda de brilho;
- Mudança de tonalidade;
- Alteração da aparência da estampa;
- Abrasão;
- Formação de marcas;
- Perda de definição;
- Alteração de relevos e efeitos especiais.
Ou seja: determinados processos de lavagem não limpam apenas a peça — eles podem efetivamente modificar o artigo têxtil.
LAVAÇÃO INDUSTRIAL NÃO É RECOMENDADA PARA ARTIGOS ESTAMPADOS SEM TESTES PRÉVIOS
De maneira geral, a Ynovacor não recomenda submeter tecidos ou peças estampadas a lavações industriais ou processos agressivos sem desenvolvimento, teste e validação prévios.
Isso se aplica independentemente de a peça possuir estamparia digital, sublimação, silk-screen, estamparia rotativa, transfer, pigmento, foil ou outra tecnologia de personalização.
Existem processos industriais cujo próprio objetivo é modificar o artigo.
Stone wash, estonagem, processos enzimáticos, lavagens químicas, processos de envelhecimento, desbotamento e outros beneficiamentos são utilizados justamente para alterar características do tecido.
Se o objetivo do processo é modificar a superfície do tecido, naturalmente existe a possibilidade de modificar também a estampa existente sobre essa superfície.
Por isso, esses processos precisam ser considerados durante o desenvolvimento do produto e nunca simplesmente aplicados sobre uma produção completa sem testes.
PRINCIPAIS PROCESSOS QUE EXIGEM ATENÇÃO
Stone wash e estonagem
São processos desenvolvidos para provocar alteração superficial e aparência de desgaste. A ação mecânica pode interferir tanto no tecido quanto na estampa.
Lavagens enzimáticas
Enzimas são utilizadas industrialmente justamente por sua capacidade de atuar sobre determinados materiais. Tipo de enzima, concentração, temperatura, pH e tempo precisam ser cuidadosamente controlados.
Processos com cloro e agentes oxidantes
Possuem elevado potencial de alteração de cores e não devem ser utilizados indiscriminadamente em artigos estampados.
Lavagens com elevado atrito
O atrito pode produzir abrasão e desgaste superficial, principalmente em regiões de dobra, costuras e contato entre peças.
Processos em altas temperaturas
Temperatura interfere no comportamento de diferentes fibras, acabamentos, resinas, filmes e aplicações.
Processos destinados ao envelhecimento ou desbotamento
Se o objetivo é alterar propositalmente a aparência original do tecido, a estampa também precisa ser considerada durante o desenvolvimento.
COMO LAVAR UMA PEÇA ESTAMPADA
Sempre devem ser observadas as instruções específicas fornecidas para cada artigo.
De maneira geral, para aumentar a conservação de uma peça estampada, recomenda-se:
DAR PREFERÊNCIA A PROCESSOS SUAVES
Sempre que a composição e a construção da peça permitirem, dê preferência à lavagem manual ou a ciclos extremamente delicados.
Quanto menor a ação mecânica desnecessária sobre a superfície estampada, melhor tende a ser sua conservação.
UTILIZAR ÁGUA FRIA OU EM BAIXA TEMPERATURA
Evite temperaturas elevadas, salvo quando houver orientação técnica específica permitindo sua utilização.
UTILIZAR SABÃO SUAVE
Produtos muito agressivos podem interferir tanto no tecido quanto em determinados sistemas de estamparia e acabamento.
NÃO UTILIZAR CLORO OU ALVEJANTES SEM AUTORIZAÇÃO ESPECÍFICA
Produtos oxidantes podem provocar alterações irreversíveis de tonalidade.
NÃO ESFREGAR AGRESSIVAMENTE A ESTAMPA
Escovas, superfícies abrasivas e atrito excessivo devem ser evitados.
EVITAR MOLHO PROLONGADO
Não mantenha desnecessariamente uma peça estampada durante longos períodos em contato com água e produtos químicos.
NÃO TORCER AGRESSIVAMENTE
A retirada do excesso de água deve ser realizada cuidadosamente.
TER CUIDADO COM A CENTRIFUGAÇÃO
Quando a lavagem em máquina for permitida, utilize ciclos compatíveis com artigos delicados.
SECAR PREFERENCIALMENTE À SOMBRA
A exposição prolongada à radiação solar pode contribuir para alterações de cor ao longo da vida útil do produto.
CUIDADO COM SECADORAS
Temperaturas elevadas podem alterar diferentes fibras, acabamentos e aplicações.
CUIDADO AO PASSAR
Não aplique temperaturas elevadas diretamente sobre estampas com filmes, transfer, foil, relevo, glitter ou outros efeitos superficiais.
Quando permitido pelas instruções do artigo, passar pelo avesso pode ajudar a proteger determinadas aplicações.
ESTAMPARIA DIGITAL EM ALGODÃO, VISCOSE E OUTRAS FIBRAS
Na estamparia digital sobre fibras celulósicas, é fundamental observar não apenas a resistência da estampa, mas também o comportamento da própria base utilizada.
Algodão, viscose, modal, linho e suas misturas possuem características distintas.
Da mesma maneira, uma sarja não se comporta exatamente como uma meia malha, um suedine não se comporta exatamente como uma tricoline e uma viscose não possui necessariamente o mesmo comportamento de um tecido 100% algodão.
Cada artigo possui sua própria construção, gramatura, composição, elasticidade, estabilidade e acabamento.
Por isso, uma estampa aprovada sobre determinado tecido não representa autorização automática para submetê-lo posteriormente a qualquer tipo de beneficiamento industrial.
SUBLIMAÇÃO E TECIDOS DE POLIÉSTER TAMBÉM EXIGEM CUIDADOS
A sublimação apresenta excelente desempenho em artigos adequados ao processo, especialmente tecidos com poliéster.
Entretanto, isso não significa que uma peça sublimada seja indestrutível.
O próprio tecido pode possuir acabamentos, elastano, membranas, texturas, películas ou outras características que precisam ser preservadas.
Por isso, também em artigos sublimados, qualquer beneficiamento industrial posterior deve ser previamente avaliado.
FOIL, RELEVO, TEXTURAS E EFEITOS ESPECIAIS
Artigos que possuem efeitos superficiais exigem ainda mais atenção.
Foil, glitter, filmes, texturas, relevos, efeitos 3D e aplicações especiais podem possuir resistência diferente do tecido sobre o qual foram aplicados.
Atrito, temperatura e química inadequada podem provocar perda de brilho, desgaste, alteração de relevo ou desprendimento de determinadas aplicações.
Nesses casos, processos agressivos devem ser especialmente evitados.
A YNOVACOR POSSUI LABORATÓRIO PARA TESTES TÊXTEIS
A qualidade de um tecido não deve ser analisada apenas visualmente.
Por isso, a Ynovacor possui estrutura de laboratório para realização de testes e acompanhamento do comportamento dos artigos, auxiliando no desenvolvimento e na avaliação dos tecidos utilizados nos projetos de nossos clientes.
Realizamos avaliações e testes que ajudam a compreender o comportamento do artigo e da estampa diante das condições previstas para sua utilização.
Esse trabalho é particularmente importante em artigos de fibras naturais e em produtos nos quais características como toque, encolhimento, estabilidade e aparência após lavagem são determinantes para a qualidade da peça final.
Nosso objetivo é oferecer ao confeccionista mais segurança durante o desenvolvimento.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre testar o comportamento esperado de um artigo e tentar prever qualquer processo industrial que possa ser aplicado posteriormente por terceiros.
Se uma confecção pretende realizar uma lavação industrial, estonagem, processo enzimático ou qualquer beneficiamento específico, esse processo precisa ser informado e reproduzido durante a etapa de desenvolvimento.
A IMPORTÂNCIA DA PEÇA-PILOTO
Para confecções, esta é uma das recomendações mais importantes:
NUNCA SUBMETA UMA PRODUÇÃO COMPLETA A UM NOVO PROCESSO DE LAVAGEM OU BENEFICIAMENTO SEM PRIMEIRO REALIZAR TESTES EM PEÇAS-PILOTO.
A peça-piloto deve representar da maneira mais fiel possível a produção final.
Isso significa utilizar:
- O mesmo tecido;
- A mesma estampa;
- As mesmas linhas;
- Os mesmos elásticos;
- Os mesmos zíperes;
- Os mesmos botões;
- Os mesmos aviamentos;
- A mesma entretela;
- As mesmas aplicações;
- E o mesmo processo de lavagem que será utilizado na produção.
A peça deverá então ser submetida aos mesmos parâmetros pretendidos para o lote.
Temperatura, tempo, produtos químicos, concentração, equipamento, ação mecânica, centrifugação e secagem precisam ser reproduzidos.
Somente depois de analisar o resultado recomendamos liberar o processo para produção.
UMA PEÇA PRONTA É MUITO MAIS DO QUE O TECIDO
Depois da confecção, o produto passa a ser um conjunto de diferentes materiais.
Uma calça, camiseta, vestido, pijama ou outra peça pode possuir tecido, estampa, linha, zíper, botão, elástico, entretela, etiqueta, bordado e diferentes aviamentos.
Cada elemento pode possuir limitações diferentes.
Por isso, a etiqueta de conservação da peça final deve considerar todo o produto, e não somente o tecido principal.
O BENEFICIAMENTO POSTERIOR PRECISA FAZER PARTE DO DESENVOLVIMENTO
Quando uma marca pretende produzir uma peça estampada e posteriormente realizar:
- Lavação industrial;
- Estonagem;
- Tingimento;
- Amaciamento intensivo;
- Processo enzimático;
- Envelhecimento;
- Desbotamento;
- Aplicação química;
- Ou outro beneficiamento;
essa informação precisa fazer parte do desenvolvimento antes da produção em escala.
Não é tecnicamente adequado produzir todo o lote e somente depois experimentar um processo agressivo sobre as peças.
Primeiro desenvolve-se.
Depois testa-se.
Depois avalia-se.
Somente então se produz em escala.
CONCLUSÃO: QUALIDADE TAMBÉM DEPENDE DOS CUIDADOS APÓS A ESTAMPARIA
Uma estampa de qualidade é apenas uma das partes necessárias para produzir uma excelente peça.
Fibra, fio, tecido, tingimento, preparação, estamparia, acabamento, confecção e lavagem precisam funcionar em conjunto.
Especialmente em tecidos de fibras naturais e artigos desenvolvidos para proporcionar maciez, conforto e toque agradável, processos excessivamente agressivos podem alterar características importantes do produto.
Por isso, a Ynovacor recomenda que peças estampadas sejam submetidas a lavagens suaves, temperaturas controladas, baixa ação mecânica e produtos adequados, sempre respeitando as características específicas de cada tecido e tecnologia de estamparia.
Lavações industriais, estonagens e processos químicos ou mecânicos agressivos não são recomendados para peças estampadas sem desenvolvimento e testes específicos prévios.
Na dúvida, antes de cortar ou produzir um grande lote, teste.
A Ynovacor conta com laboratório e equipe técnica para auxiliar seus clientes na avaliação e no desenvolvimento de tecidos estampados, buscando maior segurança para confecções que trabalham com qualidade, conforto e diferenciação em suas coleções.
